Livros de Poesia

Clarinada de Sonetos

Acordam os clarins a madrugada.

Seu ruflar estribilha os passarinhos,

faz vibrar musicatas nos caminhos

e sorrir, num verdor, novel florada.

Há sonetos por toda a clarinada

que gorgeiam e voam bem juntinhos,

e se vestem de sons e de carinhos,

já em festa a manhã, pós-alvorada.

À medida que o sol mais se levanta,

um coral de sonatas tão suaves, 

em uníssono, pelos ares canta.

E, canoros, quartetos e tercetos,

estes bailam alados como naves

— clarinadas, revéis, nestes sonetos.

Livro: "Clarinada de Sonetos & Outros Poemas - pág. 11

Mapa-múndi

Passei a ler no teu corpo

Meus pontos de geografia,

Acidentes nunca vistos

Nos tomos de anatomia.

Li nos teus olhos planetas,

dois mares à flor do dia,

e, nas faces mais rosáceas,

eu li várzeas... Quem diria!

Na tua testa, uma ilha...

Na boca, a linda baía...

E o nariz tão bem estético

qual de um cerro a simetria.

Eu li dunas nos teus seios,

colinas nas quais se espia

desfiladeiro no colo,

esta lavra de ambrosia.

No púbis, tua enseada,

e, mais infra, o que seria, 

em resumo, o mapa-múndi,

onde a vida Vênus cria.

E, penínsulas teus membros,

formas divinais, Maria,

que te estilizam tão sexy,

continente de poesia.

Livro: "Amar Mulher Poesia" - pág. 35

O Amor

Pode ser que te pegue de emboscada,

num olhar fulminante, de momento,

ou, ainda, também, se, desatento,

estiveres no val de uma sacada.

 

Ele nunca se nutre de argumento

— Só se enreda na data não marcada;

surge à tona, qual fosse aquela fada

que, de vez, te assaltou o pensamento.

Chega cedo, porém, às vezes, tarde;

temporão, mais intenso e tão no arde

que se fixa à maneira sanguessuga.

Uma vez arranchado no sujeito

sendo certo, profundo e muito a jeito,

um amor, nem querendo, bate em fuga.

Livro: "Cem Sonetos Insubmissos - pág. 63

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